ANEXO 1º
Relação de veleiros transatlânticos.

     O 1º embarque foi efetuado pelo navio Argus, também chamado por alguns por Argo. Era capitaneado por B. Ehlers e Peter Zink. O comandante do transporte era Conrad Meyer. Partiu em 27.7.1823 do porto de Amsterdã na Holanda e chegou no Rio de Janeiro no dia 7.1.1824. Trazia 284 imigrantes, sendo 150 soldados e 134 colonos destinados a Colônia Alemã de Nova Friburgo no Rio de Janeiro. O navio enfrentou fortes tempestades ainda no Mar do Norte, vindo a perder o seu mastro principal, obrigando-o a atracar na Ilha Texel na Holanda, de onde, após consertado, reiniciou a viagem em 10.9.1823. Dos passageiros do Argus apenas o boticário Karl Niethammer chegaria na Feitoria do Linho-Cânhamo em 6.11.1824. Foi o primeiro farmacêutico da Colônia Alemã de São Leopoldo;

     O 2º embarque de emigrantes veio pelo navio Caroline, capitaneado por Jakob von der Wettern e tendo como Comandante de Transporte Von Kettler. Os passageiros embarcaram no dia 12.12.1823 mas a partida do porto de Hamburgo se deu no dia 29.2.1824, chegando ao Rio de Janeiro em 14.4.1824. Trazia soldados para os Batalhões de Estrangeiros e 231 colonos para a Colônia Alemã de Nova Friburgo no Rio de Janeiro.

     Pelo navio Anna Louise veio o 3º embarque. O navio era capitaneado por Johann Heinrich Knaack e o comandante do transporte era M. Sulz. Partiu de Hamburgo em 24.3.1824 e chegou ao Rio de Janeiro em 4.6.1824. Além de 200 soldados vieram ainda 126 colonos. Os primeiros 38 imigrantes que chegaram na Feitoria do Linho Cânhamo em 25.7.1824 eram passageiros do Anna Louise.

     O navio Germania trouxe a 4º leva de emigrantes. Capitaneado por Hans Voss e tendo como comandante do transporte o Ten. Ferdinand von Kiesewetter. Partiu em 9.5.1824 de Hamburgo até o porto de Glückstadt, no Rio Elba, de onde zarpou em 3.6.1824. Chegou ao Rio de Janeiro no dia 14.9.1824 trazendo 401 passageiros sendo 277 soldados e 124 colonos. A bordo viajaram o pastor Johann Georg Ehlers, Johann Daniel Hillebrand. Ehlers seria, o primeiro pastor evangélico e Hillebrand primeiro administrador da Colônia Alemã de São Leopoldo. Houve rebelião a bordo e 8 soldados, ex-reclusos das prisões de Hamburgo foram julgados e fuzilados.

     O 5º embarque viria ao Brasil pelo navio Georg Friedrich. Seu capitão era Johann Peter Christian Rosilius e o comando do transporte estava a cargo de P. H. Schumacher. Partiu do porto de Altona em 27.6.1824, tendo chegado ao Rio de Janeiro em 11.10.1824. Trazia 399 homens, entre eles 330 soldados, 32 mulheres e 44 crianças, num total de 475 pessoas. Dos 399 homens nada menos de 169 eram reclusos.

     Pelo Peter und Maria, capitaneado por Heinrich Hinzte viria a 6ª leva de emigrantes. O comandante do transporte era Jacob Friedrich Lienau. Partiu em 27.7.1824 de Hamburgo e em 25.8.1824 de Glückstadt, chegando ao Rio de Janeiro em 12.11.1824. Dos 270 passageiros, cerca de 206 eram soldados, 5 médicos, 49 colonos com 10 mulheres e crianças.

     A 7ª leva viria pela Galera Hamburguesa Der Kranich cujo capitão era Claus Friedrich Becker e tendo como comandante do transporte Von Fürstenrecht. O embarque se deu em 25.9.1824 mas a partida apenas em 9.11.1824 no porto de Hamburgo. Os 359 passageiros, sendo 282 colonos e 77 soldados, chegaram ao Rio de Janeiro em Janeiro de 1825.

     O navio Caroline que já trouxera a 2ª leva, na sua segunda viagem ao Brasil trazia a 8ª leva de imigrantes. Seu capitão, como da viagem anterior era Jacob von der Wettern e o comandante do transporte era Anton Adolf Friedrich von Seweloh. Os passageiros do Caroline embarcaram em 19.11.1824 mas partiram de Hamburgo somente em 17.1.1825, tendo chegado em 5.4.1825 ao Rio de Janeiro após 68 dias de viagem. Trazia 282 passageiros, sendo 192 colonos, 60 soldados e 30 oficiais.

     O veleiro Triton foi o responsável pela 9ª leva. Seu capitão era Johann Samuel Gottlieb Wilhelm Paap, e von Friedrichsen o comandante do transporte. Partiu em 25.12.1824 de Hamburgo e chegou ao Rio de Janeiro em 13.3.1825. Trazia 101 colonos e um número desconhecido de soldados.

     O 10º embarque foi efetuado pelo navio Wilhelmine, capitaneado por Gottlieb Nathaniel Jacob Meyburg, sendo von Ewand o comandante do transporte. Partiu em 4.12.1824 de Hamburgo e em 16.2.1825 de Glückstadt no Rio Elba. Chegou em 22.4.1825 ao porto do Rio de Janeiro, após 64 dias de viagem, com 50 famílias, inclusive 90 reclusos, num total de 384 pessoas.

     No dia 8.11.1825 chegaria ao Rio de Janeiro o navio Friedrich Heinrich trazendo os passageiros do 11º embarque. O seu capitão era Peter Zink, e havia partido no dia 25.8.1825 do porto de Amsterdã na Holanda. Trazia 375 passageiros, sendo 70 famílias de colonos com 364 pessoas e 11 solteiros.

     O navio Georg Friedrich que já trouxera a 5ª leva também trouxe os passageiros do 12º embarque. Johann Peter Christian Rosilius, como da vez anterior era o seu capitão. Como comandante do transporte viria ao Brasil Johann Joachim Hanfft, agente de Schaeffer, que seria em seguida integrado no Batalhão de Granadeiros. O navio partiu em 20.8.1825 de Hamburgo e após 8 dias de permanência no porto da cidade de Glückstadt, partiu em 28.8.1825 rumo ao Rio de Janeiro onde atracou em 20.11.1825. Seus passageiros eram 354 soldados, entre eles 68 reclusos e 20 mulheres e crianças.

     Pelo navio Creole, capitaneado por Jakob Bendixen viria a 13ª leva. A partida deu-se em 9.9.1825 do porto de Altona e a chegada foi em fins de Dezembro de 1825. Neste embarque chegava como passageiro o Pastor Friedrich Christian Klingelhoeffer, 2º pastor evangélico de São Leopoldo, que se radicaria em Campo Bom, onde construiu a primeira igreja. Envolveu-se na Revolução Farroupilha ao lado dos republicanos vindo a falecer em combate junto a Freguesia Nova, Município de São Jerônimo, no dia 6.11.1838.

     O 14º embarque deu-se pelo navio Fortuna, que saiu do porto de Hamburgo em 9.6.1825 tendo como capitão Claus Hoop e como comandante do transporte Carlos Luís Bode. Chegou ao Rio de Janeiro em 2.10.1825 transportando 52 colonos e familiares num total de 252 pessoas.

     A galera hamburguesa Der Kranich, em sua 2ª viagem ao Brasil traria a 15ª leva de emigrantes. O capitão foi Claus Friedrich Becker e o embarque dos passageiros foi efetuado no porto de Hamburgo no dia 20.09.1825 mas a partida para o Rio de Janeiro se deu apenas no dia 3.10.1825. Após 4 meses de viagem chegaram ao porto do Rio de Janeiro no dia 19.1.1826 e desembarcaram no dia seguinte 20.1.1826. Dos 301 passageiros cerca de 216 eram colonos e 85 soldados;

     A 16ª leva de imigrantes viria pelo veleiro holandês Company Patie, tendo como capitão Franciscus Stavers e comandante do transporte o Ten. Carl Heine. Partiu do porto de Amsterdã no dia 10.10.1825 e chegou ao Rio de Janeiro em 17.05.1826. Trazia aproximadamente 281 passageiros sendo 200 para Buenos Ayres e 81 para o Rio Grande do Sul. Este veleiro tinha como destino o porto de Buenos Aires. Devido à Guerra Cisplatina, o navio foi aprisionado por navio de guerra brasileiro e internado no porto de Montevidéu. Dali cerca de 201 passageiros conseguiram fugir para Buenos Aires e os demais 81 vieram para o Rio Grande do Sul.

     O Anna Louise, que já havia trazido a 3ª leva, também fez uma 2ª viagem trazendo os passageiros do 17º embarque. Capitaneado por Johann Heinrich Knaack, partiu do porto de Hamburgo em 13.10.1825 e chegou ao Rio de Janeiro em 26.2.1826. Nele vieram cerca de 400 pessoas quase todos militares e poucos colonos.

     O Caroline faria ainda uma 3ª viagem, desta vez trazendo a 18ª leva de imigrantes. O capitão e proprietário era Jacob von der Wettern e o comandante do transporte Carl Seidler. Partiu de Hamburgo no dia 16.11.1825 e chegou ao Rio de Janeiro no dia 27.2.1826, trazendo cerca de 200 passageiros.

     O 19º embarque foi efetuado pelo navio Friedrich, capitaneado por Hans C. Stille e tendo como comandante do transporte o Ten. Julius Mansfeld. O embarque dos passageiros foi em 23.5.1826 mas a partida deu-se em 1.6.1826 no porto de Bremen, chegando ao Rio de Janeiro no dia 4.8.1826. Trazia 238 pessoas, sendo 152 soldados com 5 esposas e 2 crianças, além de 18 colonos com 11 esposas e 44 crianças.

     Pelo navio Fliegender Adler, chegou a 20ª leva ao Brasil. Deste embarque foi apenas encontrado o contrato de afretamento assinado por Schaeffer no porto de Bremen, por isso estão prejudicados maiores detalhes sobre a composição dos seus passageiros.

     O navio Brodtrae capitaneado por Bendix Bendixen e tendo como comandante do transporte o Ten. Cav. von Morsey, chegaria 21ª leva ao Brasil. A embarcação partiu do Porto de Bremen em 7.7.1826 e chegou ao Rio de Janeiro em 28.9.1826, com 277 passageiros, sendo 155 soldados, 106 colonos e 16 outros.

     O navio Creole também faria uma 2ª viagem, desta vez para trazer a 22ª leva de imigrantes. Sob a direção do capitão Jacob Bendixen e tendo como comandante do transporte Friedrich L. von Maybohm, o navio partiu no dia 22.7.1826 do porto de Bremen e chegou ao Rio de Janeiro no mês de Outubro ou Novembro de 1826. Trazia em torno de 300 passageiros, sendo destes 160 ou 170 soldados e o restante colonos que vieram ao Rio Grande do Sul.

     A 23ª leva viria pelo navio Betzy & Marianne, sob a direção do capitão Joachim D. Schel e comando do transporte do sargento C. H. Brüning. Partiu de Bremen no dia 16.11.1826 e atracou em Salvador na Bahia no mês de Fevereiro de 1827, trazendo 32 recrutas e apenas 6 colonos nenhum deles para o Rio Grande do Sul.

     No navio Harmonie, viria a 24ª leva de imigrantes alemães. Seu capitão foi Cornelius e tinha como comandante do transporte o próprio Georg Anton von Schaeffer. O navio partiu do porto de Bremen em data ignorada e chegou ao Rio de Janeiro em 2.7.1828, sendo desconhecido, por ora, o número e a composição de seus passageiros.

     A 25ª leva embarcou no Cäcilie. Este veleiro teve uma viagem desastrosa. Partiu do porto de Bremen no dia 6.1.1827. Poucos dias depois em 12 e 13 de Janeiro, quando navegava no Canal da Mancha enfrentou forte tempestade perdendo seus três mastros. Cerca de 20 colonos e 2 marinheiros morreram afogados. Serenada a tempestade foram avistados e rebocados por um navio inglês para o porto de Falmouth na Inglaterra. O capitão vendeu a carcaça da embarcação e desapareceu, não devolvendo as cauções pagas, deixando os passageiros abandonados à própria sorte. Foram socorridos apenas em fins de 1828 quando passou por Falmouth o Marques de Barbacena, que tomou as providencias devidas, alugando o veleiro inglês "James Laing" para transportar os mais de 300 emigrantes para o Brasil. O James Laing partiu de Falmouth no dia 3.1.1829 e chegou ao Rio de Janeiro no dia 19.2.1829. Esta data final ainda hoje é comemorada no "Michelskerb" ( Kerb de São Miguel) de Dois Irmãos e São José do Hortêncio onde a maioria dos passageiros do Cäcilia se estabeleceram.

     O 26º embarque foi efetuado pelo veleiro Olbers, o maior dos navios que até aquela data haviam efetuado o transporte de imigrantes ao Brasil. O Olbers partiu do porto de Bremen no dia 26.9.1828 e chegou ao Rio de Janeiro em 17.12.1828. Navio especialmente preparado para o transporte de pessoas transportou 874 passageiros entre eles muitas famílias que se radicaram na Colônia Alemã de São Leopoldo.

     Também o navio Fortune faria uma 2ª viagem, para trazer desta vez a 27ª leva de imigrantes. Sob a direção do Cap. Richelsen e tendo como comandante do transporte o guarda Martin Henrici, o Fortune zarpou do porto de Bremen no dia 31.12.1828 e chegou ao Rio de Janeiro em 2.4.1829, trazendo 265 passageiros, cuja composição é desconhecida.

     Segundo os pesquisadores e historiadores da imigração Alemã ao Rio Grande do Sul foram estes os navios que trouxeram colonos e soldados para o Brasil, no período de 1824 a 1830, que compreende o primeiro período da imigração. A imigração ficaria suspensa a partir de 1830 por falta de verba orçamentaria para custeá-la e de 1835 a 1845 em virtude da Revolução Farroupilha.

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