3. Regiões colonizadas e principais cidades
fundadas pelos imigrantes
alemães no Rio Grande do Sul.

     Com a assinatura da Paz do Ponche Verde em 1845 entre Caxias e David Canabarro, teve prosseguimento o processo imigratório alemão para o Rio Grande do Sul. Os alemães que daí em diante aqui aportariam, ocupariam os Vales do Caí, Taquari e Jacui.

     No Vale do Caí, as principais cidades de Montenegro e São Sebastião do Caí, de colonização portuguesa, receberiam um aporte do elemento germânico que também se estabeleceram em Pareci, Pareci Novo, Harmonia e Bom Princípio ( Winterschneis) e outras localidades. A região do Arroio Forromeco, afluente do Caí, foi colonizada a partir de 1854 pela "Sociedade Montravel, Silveiro & Cia." que ali fundou a Colonia de Santa Maria da Soledade onde foram assentados não só colonos alemães mas também belgas, holandeses, suíços e franceses. Mais acima no Rio Cai localiza-se Feliz, colonizada pelo Governo Imperial a partir de 1846, eleita pela ONU em 1998 como a "cidade de melhor qualidade de vida do Brasil"; e finalmente, Nova Petrópolis, fundada em 1858 por Sellin e Bartolomay.

     Pelo Vale do Jacui, a principal cidade Cachoeira do Sul, onde inicialmente se instalaram portugueses, também recebeu forte contingente germânico. As vizinhas cidades de Agudo e Paraíso do Sul, compreendendo a antiga Colônia de Santo Angelo fundada pelo Barão von Kahlden, foram ocupadas por Pomeranos vindos de Lubow a partir de 1857.

     No Vale do Taquari, cujas principais cidades Lajeado ( na época Colônia Conventos fundada por Antônio Fialho em 1853), Teutônia ( fundada em 1858 por Carl Arnt) e Estrela ( fundada por Vito Barreto em 1846) bem como as cidades em seu entorno: Canabarro, Forqueta, Forquetinha, Cruzeiro do Sul, Boa Esperança, Marques de Souza ( na época Neu Berlin fundada em 1868), não nos esquecendo de Santa Cruz, no Vale do Rio Pardo (colonizada por Bartolomay em 1849) e sua vizinha Monte Alverne colonizada a partir de 1860, temos a presença marcante não só de novos imigrantes alemães mas também de colonos emigrados das antigas colônias alemãs do Sinos e do Caí.

     Por fim no sul do Estado encontramos São Lourenço do Sul, colônia fundada por Jakob Rheingantz em 1857 e onde se radicaram diaristas oriundos da Westphália.

     Onde se instalaram deixaram uma senda de progresso como são exemplos os Vales do Sinos, Caí e Taquari. Não vieram apenas simples colonos, mas também artífices do couro (sapateiros, seleiros, curtidores), ferreiros, carpinteiros, marceneiros, alfaiates, tecelões, médicos e professores etc.

     É verdade que na sua grande maioria eram pobres.

     É verdade que fugiram de uma Pátria com democracia precária, com explosão demográfica, com recessão econômica, com terras exauridas e improdutivas.

     Também é verdade que fugiram do desemprego, da fome, da insegurança e da falta de perspectivas.

     Mas também é verdade que trouxeram consigo a sua enorme capacidade de trabalho, sua arte, suas tradições, folclore e costumes, sua língua, sua culinária que souberam preservar até os dias atuais.

     Em resumo: semearam o progresso onde há apenas 175 anos atrás existia apenas mato!

     Hoje quando estamos com toda justiça homenageando a chegada dos primeiros imigrantes alemães, muito temos a agradecer a aquelas humildes, corajosas e obstinados pessoas que, deixando a sua pátria mãe, vieram aqui construir um futuro melhor para si e para os seus, contribuindo lado a lado com as demais etnias, no progresso e desenvolvimento não só do nosso Estado mas também da pátria brasileira que adotaram.

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